Eclipse Lunar Total

 

Entre todos os fenômenos astronômicos, o eclipse é o mais impactante. Históricos de observações são compartilhados por todos os povos e com as mais diferentes interpretações. Desde os chineses antigos, que tocavam tambor para espantar o dragão que estava comendo o Sol, até os indígenas brasileiros que atiravam flechas e faziam o maior estardalhaço para espantar a onça celeste (Vixi) que corre atrás dos irmãos Sol e Lua. Para eles, se os irmãos forem pegos, o mundo se acabaria em escuridão total.

 

No próximo dia 15 de abril, teremos um Eclipse Lunar Total. Inicia-se, à 1h53min, a fase penumbral, não sendo perceptível a olho nu e, somente a partir das 2h58min, início da fase umbral, poderemos perceber o fenômeno. (Veja a imagem do esquema de um eclipse lunar total, fora de escala.)

 

Às 4h6min da manhã, dar-se-á a totalidade. Neste momento, toda a Lua terá uma coloração avermelhada. Os puristas poderiam perguntar: Se a Lua encontra-se na sombra da Terra, por que ela não desaparece, uma vez que não tem luz própria?  E eu respondo: A Terra possui atmosfera e esta refrata a luz do Sol. Esta decomposição da luz branca nas diversas cores faz com que a parte azul vá para o espaço e a luz vermelha chegue até a Lua, deixando-a avermelhada, da cor do sangue, como alguns gostam de falar, e até a denominam Lua Sangrenta.

 

A Lua ficará avermelhada por 1h18min e às 5h24min inicia o final da totalidade, voltando a ficar branca às 6h33min, já com dia claro. Para observar o fenômeno, é só olhar em sentido ao oeste, o lado em que o Sol se põe. É importante que a área esteja liberada de montanhas para que não comprometa a observação.

 

A Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro irá transmitir o evento pela Rede Mundial de Computadores. Serão duas câmeras fazendo imagens da Lua e uma terceira câmera com imagens de um astrônomo, que irá responder quaisquer dúvidas e questionamentos sobre o fenômeno ao vivo. Aos interessados, fiquem ligados na nossa página no Facebook, que minutos antes divulgaremos o link para a transmissão para participação do público. Lembramos que é um evento que depende das condições atmosféricas. Portanto, caso o tempo esteja nublado ou chuvoso, a observação do fenômeno fica impossibilitada.

 

Vamos torcer por céu limpo!

 

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Jorge Marcelino
Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro -Experiência na área de Astronomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Ensino e História da Astronomia, Instrumentação Astronômica, Estrelas Variáveis e Galáxias em Grandes Redshifts. http://lattes.cnpq.br/1816289218589730