Água em Marte

Notícia recente: Confirmados indícios de água líquida em Marte. Apesar de ser água subterrânea muito salgada e fria, a notícia tem uma importância enorme. Acompanhado de outros indícios, a possibilidade de existência de vida ganha um grande reforço.

A atmosfera marciana não permite a permanência da água em estado líquido na superfície do planeta. A pressão atmosférica é muito baixa, o que faz com que a água se encontre somente na forma de gelo ou vapor. Nos polos de Marte, a temperatura mais baixa cria calotas geladas de gás carbônico e água. Estas calotas são conhecidas desde que se começou mapear o planeta através de telescópios em Terra; mesmo antes das sondas espaciais fotografarem praticamente toda a superfície marciana. As sondas conseguiram, inclusive, identificar porções consideráveis de gelo fora das calotas polares.

Mesmo sendo tão frio e seco, Marte é o planeta do Sistema Solar mais parecido com a Terra. Vários aspectos do seu relevo sugerem, que no passado, água corrente existiu na superfície. Vales sinuosos e regiões sedimentares sugerem um passado mais quente e úmido para o Planeta Vermelho. 

Já há algum tempo se sabe da presença de compostos orgânicos na atmosfera marciana: metano e formaldeído. Entendemos que estes compostos de carbono não são, obrigatoriamente, de origem viva. Amônia também foi identificada em Marte.  Recentemente (junho 2018) se confirmou a presença de compostos ainda mais complexos e de concentração sazonal, ou seja, a concentração destes gases varia com as estações. Isto é bem interessante do ponto de vista astrobiológico. 

A esquerda: Lado congelado na cratera em Vastitas Borealis fotografado em 2006 pela sonda Mars Express da ESA. A direita em cima: Calota Polar Sul. A direita abaixo: Região onde se identificou marcas de possíveis correntes temporárias de água em 2015 pela sonda MRO.

Nesta semana foram divulgados dados de radar da sonda européia Mars Express. O MARSIS (sigla de Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding) é um sistema de antenas que permite mapear regiões subterrâneas de Marte através de ondas de rádio, do mesmo modo dos radares usados aqui na Terra. Já se conhecia regiões ao redor da calota polar sul que refletiam ondas de rádio de forma particular. O MARSIS escaneou detalhadamente uma destas regiões e encontrou reflexões típicas de água em estado líquido a uma profundidade de 1,5 km. Para que a água mantenha-se líquida à temperatura de dezenas de graus abaixo de zero é preciso que ela esteja misturada a sais. Acredita-se que percloratos de sódio, cálcio e magnésio sejam sais abundantes no solo marciano. Estes sais são oxidantes muito fortes. Dependendo da concentração, percloratos não são favoráveis a várias formas de vida. Entretanto, existem micro-organismos que utilizam percloratos como fonte de energia.

Vejamos o que as próximas sondas dirão sobre Marte. 

mars
No alto à esquerda: esquema demonstrando o funcionamento do rastreio de radar de penetração subterrâneo (MARSIS). No alto à direita: Capa polar marciana (região branca) e região onde se achou os reflexos de radar subterrâneos. Abaixo à esquerda: perfil indicando camada de água sob o solo congelado de Marte. Abaixo à direita: linhas de passagem do radar (as cores indicam intensidade de ondas de rádio refletidas). Em primeiro plano (ao centro): a Sonda Mars Express da ESA.

Vejam mais informação nos links abaixo:

http://www.sciencemag.org/news/2018/07/liquid-water-spied-deep-below-polar-ice-cap-mars