Buracos negros giram?

Por Luís Guilherme Haun – Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

 

A resposta para a pergunta acima é “sim”! Sabemos muito pouco sobre os buracos negros, mas uma coisa é certa: eles têm rotação. Massa e carga elétrica completam as informações sobre estes enigmáticos objetos celestes.

Muitos buracos negros são encontrados em centros de galáxias. Mas como sabemos onde estão? Várias observações mostram nessas áreas uma grande quantidade de matéria envolvendo uma região escura, de onde, aparentemente, não se obtém nenhuma informação. Portanto, sabemos da existência dos buracos negros de modo indireto.

A matéria, ao atingir uma determinada distância do buraco negro, conhecida como horizonte de eventos, não conseguirá mais escapar da sua gravidade. Nem a luz, com uma velocidade de 300.000km/s, consegue escapar desta atração, e é engolida. Mas, próximo a essa região, a matéria muda de velocidade muito rapidamente, fazendo-a emitir radiação, principalmente em raios X. Assim podemos ter informações sobre o buraco negro.

Outra forma de estudar estes objetos é pela deformação do espaço ao seu redor. Segundo a relatividade de Einstein, a massa irá mudar o espaço ao seu redor. Quanto maior a massa, maior a deformação. E os buracos negros têm muita massa.

Nesta semana os telescópios NuSTAR (NASA) e XMM-Newton (ESA), ambos pesquisando o céu em raios X, mediram a velocidade de rotação do buraco negro que fica no centro da galáxia NGC 1365, na direção da constelação de Fornax (Forno), distante 56 milhões de anos-luz. Essa velocidade está próxima à velocidade da luz. (Ver matéria)

A massa deste buraco negro é de milhões de vezes a do Sol. Mas nem sempre foi assim: o buraco negro aumentou a sua massa sugando matéria de estrelas e nebulosas próximas. Alguns conseguem aumentar a sua massa em colisões de galáxias.

Este estudo, da velocidade de rotação do buraco negro, pode testar a teoria da relatividade de Einstein em condições extremas, próximo à velocidade da luz. Além disso, podemos compreender melhor o passado da galáxia à qual ele pertence. Os telescópios mencionados estão estudando diversos outros buracos negros e logo teremos mais informações.