Fundação Planetário: Órgão de Divulgação Científica

A Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro completou no dia 19 do mês passado (novembro) quarenta anos de existência. Não como Fundação propriamente dita, pois só passamos a ser tal em 1993, mas como um dos principais órgãos de divulgação científica do Brasil. Tenho certo orgulho em dizer que, nestes 40 anos, participei de 14. Primeiro como estagiário depois como astrônomo. “Certo orgulho” pelo pouco tempo de casa é claro, porque, na verdade, já me sinto como parte dos alicerces da Fundação, e disso tenho muito orgulho.

São apenas 14 anos, mas já pude participar de dois dos momentos mais importantes da casa: a construção do novo prédio com um planetário de última geração, em 1998; e a inauguração dos experimentos interativos do Museu do Universo, em 2005.

O primeiro momento me trás muitas recordações. Quando cheguei aqui em 1996, ainda bem moleque empolgado com o primeiro emprego (estágio), no local do novo prédio só havia um imenso buraco cheio de água. Eram as escavações da garagem. Pude acompanhar a obra subir por inteira e a montagem do Universarium, o novo planetário, uma sensação na época. Os equipamentos do novo planetário eram incríveis. Tínhamos as melhores imagens astronômicas da época, tudo isso em… slides!!! Eram quase 90 projetores de slide cobrindo a cúpula toda! Mas o que deixava a gente eufórico era a oportunidade de ter um extraordinário GRAVADOR DE CD!!! Nossa!

Desde então aprendi a valorizar o grande trabalho desenvolvido pelos astrônomos da casa, principalmente dos mais antigos: Órmis Rossi, Fernando Vieira e Domingos Bulgarelli. Não poderia ser à toa que um grupo de meia dúzia de astrônomos, mais ou menos, tivesse nas mãos um dos melhores equipamentos do mundo. Havia muito conhecimento adquirido e, ainda bem, compartilhado com os mais novos. Costumávamos brincar dizendo que aprendíamos mais no Planetário do que na Faculdade.
E foi pelo trabalho era realizado aqui que eu me decidi por seguir nesta área, a de divulgação científica em astronomia e ciências afins.

O segundo momento se passou praticamente junto com a minha entrada no Planetário já como astrônomo servidor público da Fundação. Com o apoio da Fundação Vitae, o projeto para um museu interativo pode ser estabelecido. Depois de anos de estudos uma equipe liderada pelo astrônomo Gilson Vieira, juntamente com astrônomos da casa, montaram um extraordinário museu que passou a ser agraciado por pessoas do mundo inteiro.

Com o museu concluído, melhoramos ainda mais a qualidade dos serviços oferecidos às escolas e ao público em geral. Tínhamos o melhor lugar do mundo para trabalhar com o melhor produto a oferecer.

Entre erros e acertos, os trabalhos desenvolvidos por toda a equipe de astrônomos e por vários que aqui passaram, nos tornamos, há décadas, referência nacional para outros planetários e centros de divulgação científica. O mundo deu muitas voltas ao redor do Sol nestes 40 anos (mais especificamente 40!) e ainda tem muitas voltas a dar. Esperaremos as próximas 40!

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Wailã de Souza
Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro - Experiência na área de Divulgação Científica, com ênfase em Museus e Centros de Ciências. É coordenador da equipe de mediadores do Museu do Universo. http://lattes.cnpq.br/7648932466369564