SOL A PINO?
Sex, 03 de Setembro de 2010 19:17    Imprimir E-mail

Domingo passado, vendo um famoso programa de televisão noturno, minha atenção se prende em uma reportagem sobre o clima seco que se abateu sobre o Brasil. Especialistas discorrem sobre as consequências que a baixa umidade traz para o nosso organismo, gráficos mostram há quanto tempo não chove em determinadas regiões…

E eis que a bela repórter aparece, caminhando por uma rua movimentada de Brasília, e diz: “Uma e meia da tarde, sol a pino…” Pronto! Parei de escutar! Este erro foi a primeira vez que ouvi! Já estou acostumado a ouvir a expressão “sol a pino” atrelada ao meio-dia. Mas nunca antes de uma hora qualquer (uma e meia da tarde?!?).

De qualquer maneira, a expressão está errada em ambos os casos. Sol a pino é uma expressão popular que descreve uma situação astronômica bastante peculiar: o Sol no zênite. Zênite?!? Sim, o zênite. Esta palavra esquisita vem do árabe e descreve o ponto mais alto do céu, exatamente em cima das nossas cabeças. É o popular “a pino”. Ou seja, o Sol só está a pino quando ocupa este ponto específico do céu: o zênite.

E o Sol só fica a pino nas zonas tropicais (como é o caso de Brasília), em dois dias do ano. Um jeito bom de se perceber se o Sol está realmente a pino é olhar para a sombra das coisas. No fenômeno do Sol a pino, simplesmente não há sombras! (Quer dizer, as sombras estarão exatamente embaixo dos objetos que as produzem…).

No dia a dia, há uma tendência em se propagar um erro e as pessoas costumam usar a expressão “sol a pino” como sinônimo de “sol alto no céu” ou, pior (como a reportagem citada), “hora de muito calor”. Não é.

Sol a pino é um termo muito específico e deve ser usado com correção.

 

Alexandre Cherman

 
Quantidades, distâncias, vida no Universo e visitantes
Ter, 31 de Agosto de 2010 19:16    Imprimir E-mail

Muitas pessoas, principalmente durante a visita escolar ao Planetário, me perguntam sobre vida fora da Terra, ou, como eles dizem, ETs. Eu costumo responder fazendo uma análise sobre algumas condições do Universo e deixando a conclusão para a própria pessoa.

Bom, vamos ponderar sobre este assunto um pouquinho aqui também. Costumo começar analisando o céu durante a noite. Excluindo três galáxias (Andrômeda, a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães), tudo o que observamos a olho nu pertence a nossa galáxia, a Via Láctea. Numa noite limpa em um lugar sem poluição luminosa, podemos ver até 6.000 astros. Esse número de estrelas, que parece grande, não é nada se compararmos com a estimativa da galáxia inteira que é de 200 bilhões de estrelas!


Saindo da nossa galáxia, encontramos outras galáxias e as estimativas nos dizem que podem existir outros 200 bilhões de galáxias no Universo! Algumas com até trilhões de estrelas. Chegamos à conclusão, então, de que no Universo existem muitas estrelas!


Com o desenvolvimento de telescópios mais modernos e ultrassensíveis, estamos descobrindo muitos planetas ao redor de estrelas. Este número já está em 488 planetas ao redor de outras estrelas (até a data desta postagem). E só estamos falando de estrelas relativamente próximas do nosso Sistema Solar. O que parecia exceção, agora parece regra: planetas orbitando estrelas.


Conhecendo esses dados, não é difícil de se acreditar que exista algum planeta, dessas aparentemente infinitas estrelas, que apresente condições para a vida se desenvolver. Mesmo tendo a Terra características muito específicas e peculiares para isso acontecer.
Agora, a meu ver, ter vida em outro lugar não significa que alguém ou alguma coisa já tenha vindo até a Terra e nem que ela seja tão desenvolvida e complexa como os seres humanos. Explico meu ponto de vista: os números não são grandes apenas para a quantidade de estrelas e galáxias, mas também são enormes para as distâncias.


O local mais distante em que o homem pôs os pés fora da Terra foi a Lua, que está a mais ou menos 380 mil quilômetros. O Sol já se encontra a uma distância considerável, 150 milhões de quilômetros.
Considerável para os nossos padrões, mas se formos comparar com a estrela mais próxima do Sistema Solar, a Alfa do Centauro (na verdade, um sistema com três estrelas), a distância Sol-Terra se torna insignificante, são 4,4 anos-luz, ou seja, quase 44 trilhões de quilômetros!


Do centro da nossa galáxia estamos distantes aproximadamente 26 mil anos-luz (em quilômetros já fica impossível, por favor). E a nossa galáxia inteira tem 100 mil anos-luz de diâmetro.
Saindo da nossa galáxia, temos a galáxia de Andrômeda, por exemplo, como uma das “vizinhas” mais próximas, dois milhões de anos-luz. E aí, vale a pena parar para refletir. A luz das estrelas dessa galáxia (visível a olho nu, diga-se de passagem) demora dois milhões de anos para chegar até a Terra! A velocidade da luz é de 300 mil km/s! E nós sabemos, pelas Leis da Física, que nada pode viajar acima desta velocidade. (Nem falar das galáxias mais distantes: 12 bilhões de anos-luz.)


É aí que eu acho que viajantes espaciais são tão impotentes como nós, mesmo se forem mais evoluídos. Como percorrer todas essas distâncias tendo as Leis da Física vigorando em todos os lugares no Universo? Mesmo viajando próximo da velocidade da luz, demoraríamos muito de uma estrela a outra. Até existem algumas teorias que dizem ser possível viajar de um ponto a outro no Universo rapidamente, como as que falam dos “buracos de minhoca”, mas mesmo assim nada leva a crer que alguém resistiria a uma viagem dessas. Além deste ponto, estaríamos no ramo da ficção científica.


Apesar de alguns relatos de aparecimentos de OVNIs, não acredito que a única explicação seja a de serem seres extraterrestes e, mesmo assim, realizarem uma viagem desta magnitude para chupar uma cabra no interior de sei lá onde. Deve haver coisas mais interessantes que isso depois de uma viagem dessas. Brincadeiras à parte, estamos vivendo em uma época em que quase todo mundo tem um máquina digital em casa ou no bolso, e não vemos mais tantos relatos de OVNIs como antigamente.
A verdade deve estar lá fora mesmo, só que longe pra caramba!  

Wailã de Souza Cruz

 
Foguetes de água
Qui, 26 de Agosto de 2010 14:22    Imprimir E-mail
Quem já não brincou (ou pelo menos ouviu falar) com foguetes impulsionados por água? Isso mesmo, um foguetinho de plástico, que pode ser substituído muito bem por uma garrafa pet de dois litros (essas de Guaraná, Coca-cola, etc.), onde se coloca água e injeta-se ar no seu interior. É uma brincadeira gostosa e instrutiva, pois a teoria dos foguetes está toda ali.
Existem diversas experiências que se pode executar, depois que já se tiver prática  no lançamento simples: podemos calcular a altura que a garrafa atinge; podemos analisar o que acontece quando se coloca um bico na garrafa pet... E que tal se colocarmos aletas na base da garrafa? Será possível fazer mais de um estágio, como nos foguetes de verdade? A resposta é sim. Como podemos ver, são muitas as opções que temos e, de uma simples brincadeirinha, vamos parar numa coisa mais séria, pelo menos num hobby bem legal. Existem várias referências na internet sobre o assunto.
É importante salientar que essa prática deve ser feita com  muita SEGURANÇA, pois um foguete desses sobe bem alto e, se ele cair na rua, pode provocar acidentes. O foguete em si, na sua subida, pode machucar. Enfim, devemos tomar bastante cuidado em todo esse processo.
Para aqueles que realmente quiserem experimentar ...  Bom Voo!!

Rubens Heizer Vilella
 
Fatos e boatos sobre Marte
Ter, 24 de Agosto de 2010 19:07    Imprimir E-mail
No mês de agosto, em alguns anos anteriores, a curiosidade dos internautas e da mídia foi despertada por um e-mail (des)informando que o planeta Marte seria visível com o tamanho de “duas luas no céu”. Isso começou em 2003, repetiu-se em 2005 e ainda nos anos ímpares seguintes. Nós estamos em um ano par, mas não custa já ficarmos prevenidos.

Em 2003, no mês de agosto, Marte ficou próximo da Terra durante a oposição (época em que o Sol, a Terra e Marte ficam aproximadamente alinhados, nessa ordem). Este é um fato astronômico normal, e está relacionado com os períodos de revolução da Terra e de Marte em torno do Sol.

Não se sabe muito bem de onde surgiu a informação de que aquele planeta apareceria tão grande para o observador na Terra. Na verdade, ele surgiria como um ponto bastante brilhante, porém nada muito maior que uma das estrelas brilhantes do céu.

O que causou mais estranheza foi o fato de que, em 2005 e 2007, no mesmo mês de agosto, o mesmo e-mail abarrotou as caixas postais de todo mundo.

Certamente, tratou-se de uma brincadeira (de mau gosto, diga-se de passagem). Para você entender por quê, saiba que as oposições sucessivas de Marte acontecem com um intervalo de cerca de dois anos e dois meses. Assim, em 2005, o planeta aproximou-se da Terra no mês de outubro e, em 2007, em dezembro.

Então, em agosto do ano que vem, quando você receber um e-mail informando que Marte vai ficar tão grande a ponto de ofuscar a Lua, simplesmente apague-o.


Gilson Gomes Vieira
 
ENAST, um sonho que se tornou real
Sex, 20 de Agosto de 2010 19:44    Imprimir E-mail

“Eu tenho um sonho” – Assim começou um discurso famoso do Reverendo Martin Luther King (1929-68), prêmio Nobel da Paz e líder do movimento de igualdade racial nos EUA. Foi da mesma maneira que iniciei um e-mail numa lista de discussão de Astronomia (Urânia Brasil – http://br.groups.yahoo.com/group/urania_br/) há mais de 14 anos. Comentava, na época, a vontade que tinha de ver os astrônomos (amadores e profissionais) encontrando-se periodicamente para trocar experiências. A mensagem teve uma repercussão muito maior do que eu esperava. Os colegas do Clube de Astronomia de Campos compraram a ideia com paixão e tornaram aquele desejo compartilhado num evento pioneiro em novembro de 1998: o 1o Encontro Nacional de Astronomia. Centenas de amantes da Astronomia têm se reunido ano após ano desde então, preferencialmente, nos feriados de novembro em diversos lugares do Brasil. A característica principal do evento é a acessibilidade facilitada para todos através da inscrição gratuita e facilidades de hospedagem. Outra característica do evento é a convivência entre entusiastas, curiosos, veteranos, neófitos, amadores e profissionais.
O número de participantes aumenta a cada ano. O evento inclui exposição de instrumentos fabricados pelos próprios donos, astrofotografias, mesas-redondas, observação do céu, palestras, sorteios de brindes, cursos e assim por diante.
Dê uma olhada nas fotos dos ENASTs passados em http://observatoriophoenix.astrodatabase.net/m_fotos/enast.htm .

Veja, a seguir, quando e onde foram realizados:

·    1o ENAST– novembro de 1998 – Campos dos Goytacazes, RJ;
·    2o ENAST – novembro de 1999 – Belo Horizonte/Ouro Preto, MG;
·    3o ENAST – novembro de 2000 – Vitória, ES (Acho que foi a primeira a ter uma camiseta com  logotipo);
·    4o ENAST – novembro de 2001 – Salvador, BA (A primeira fora da Região Sudeste);
·    5o ENAST – novembro de 2002 – Ouro Preto, MG;
·    6o ENAST – junho de 2003 – Campos dos Goytacazes, RJ (A primeira vez que não foi em novembro, pois os feriados naquele ano não ajudavam; aproveitamos o Corpus Christi);
·    7o ENAST– novembro de 2004 – Brotas, SP;
·    8o ENAST – novembro de 2005 – Curitiba, PR (A primeira da Região Sul);
·    9o ENAST – novembro de 2006 – Brasília, DF (A primeira da Região Centro-oeste);
·    10o ENAST – novembro de 2007 – Rio de Janeiro, RJ (Na Fundação Planetário, pela primeira vez, votamos o próximo evento com dois anos de antecedência e, pela primeira vez, o evento foi transmitido ao vivo pela internet). Ver foto abaixo.

 

·    11o ENAST – novembro de 2008 – Maceió, AL (Foi onde se começou a premiar várias categorias de pessoas e instituições importantes para a Astronomia brasileira);

·    12o ENAST – novembro de 2009 – Londrina, PR (Visite meu blog pessoal e veja as fotos do evento (http://ceurbano.blogspot.com/2009/10/diario-de-um-enastiano-em-londrina.html).

Neste ano, o 13o ENAST será em novembro (12 a 15), na cidade do Recife, PE. O 14o, em novembro de 2011, já tem sede escolhida: São Paulo, SP. O 15o, em 2012, já está sendo encaminhado. Em Recife, durante o encontro, será votada a sede. As candidaturas já estão sendo inscritas até 16 de outubro no site http://www.enast.com.br/. Participe, você não imagina como é bom.

 

Naelton Araújo

 

 

 


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