Por Alexandre Cherman – Astrônomo da Fundação Planetário
Robert Bunsen, no século retrasado, inventou um dispositivo para promover a queima de gases (que hoje conhecemos por “bico de Bunsen”). Ao perceber que diferentes elementos químicos brilhavam de forma diferente quando aquecidos, Bunsen, juntamente com Gustav Kirchoff, passou a estudar esse fenômeno, inaugurando o ramo da ciência conhecido como “análise espectral”, que é a pedra fundamental da Astrofísica.
É através da análise espectral, ou espectroscopia, que conseguimos dizer quais são os elementos que formam uma estrela, sem nunca termos chegado nem perto dela! (Mesmo o Sol, que é uma estrela e está bem próximo de nós, nunca foi visitado por sonda ou nave).
A precisão da espectroscopia é tão grande, nos dias de hoje, que conseguimos descobrir do que são feitas as atmosferas de alguns planetas extrassolares! Primeiro, deve-se fazer a análise espectral da estrela em si; depois, analisa-se a porção da luz da estrela que, antes de chegar até nós, atravessou a atmosfera do planeta que gira ao seu redor. Um cruzamento dos dados nos permite saber do que é feita a atmosfera de um mundo distante (que muitas vezes nem é visto no telescópio, mas sabemos que está lá!).
É com esta espectroscopia extremamente refinada que resultados como este podem ser anunciados. Não só sabemos do que é feita a atmosfera do planeta HD 189733b, como sabemos que ela foi recentemente alterada pela atividade de sua estrela central.
É ou não é incrível as sutilezas que a tecnologia nos traz?

