Por Luís Guilherme Haun – Astrônomo da Fundação Planetário
Esta semana foi divulgada uma notícia que permitiu aos cientistas dar um grande passo para conhecermos como o Universo se formou. Até agora acreditava-se que as primeiras galáxias se formaram de objetos que possuíam, principalmente gás, e bem pequenos: as galáxias escuras. Mas nunca se observou uma sequer para provar esta teoria.
Quero dizer, até agora não havia uma prova. O Very Large Telescope do ESO (Observatório Europeu do Hemisfério Sul), um dos mais modernos telescópios da aualidade, observou 12 galáxias escuras próximas ao quasar HE 0109-3518. (Quasares são os objetos mais distantes, e portanto os mais antigos, do Universo. São muito brilhantes e possuem um buraco negro gigantesco no seu interior.)
Essas galáxias escuras têm pouca massa – cerca de um bilhão de massas do Sol – e são pequenas. Por possuirem apenas gás e não estrelas, brilham muito pouco. Mas como observá-las se estão estão tão distantes e quase não brilham?
A solução encontrada foi iluminá-las com radiação ultravioleta. Quando, em uma festa ou em uma boate, existe iluminação por uma luz ultravioleta a roupa branca se destaca. Os astrônomos fizeram uma técnica semelhante a esta. Utilizaram a luz ultravioleta do quasar para ilumiar as possíveis galáxias escuras que por ventura estivessem próximas dele. E eis que elas surgiram (ver foto em http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1119406-astronomos-detectam-galaxias-escuras.shtml).
Segundo os estudos as galáxias escuras forneceram matéria para que as galáxias atuais pudessem dar origem às estrelas. Elas se misturaram a galáxias maiores e forneceram o gás necessário para posteriores formações de estrelas.
Mais uma peça foi colocada neste quebra-cabeça que é o nosso maravilhoso e enigmático Universo!
Galáxias escuras e o início do Universo
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