Por Wailã de Souza Cruz – Astrônomo da Fundação Planetário
As Olimpíadas finalmente desembarcaram, nesta semana, no Rio de Janeiro e temos chance de ganhar medalhas em várias categorias...
Mas calma, não estou falado das Olimpíadas de Londres, nem viajei no tempo para 2016. Estou falando da 6ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica que está sendo realizada aqui no Rio de Janeiro, mais precisamente na cidade de Vassouras, e recebe participantes de 32 países de todos os continentes.
E para a nossa felicidade a abertura aconteceu nesta segunda-feira, 6 de agosto, no Planetário da Gávea. Um programa de planetário, em inglês, foi desenvolvido especialmente para o evento: “Céu indígena”. Essa viagem pela cultura de nossos índios foi ovacionada pelos participantes do evento.
A competição, que tem o reconhecimento da União Astronômica Internacional (IAU, sigla em inglês), foi realizada pela primeira vez na Tailândia, em 2007. De lá pra cá, a cada ano, uma sede diferente é escolhida. Passou por Indonésia, Irã, Polônia e China, para este ano chegar ao Brasil.
Em todas as edições houve participação de estudantes brasileiros. Eles são selecionados na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), que acontece todos os anos e é aberta a escolas públicas e particulares de qualquer lugar do Brasil.
Como somos o país sede temos direito a duas equipes. Isso aumenta as chances de ganhar uma inédita medalha de ouro. Apesar de ainda não terem conquistado o ouro, os brasileiros sempre tiveram bons desempenhos, com 14 medalhas já conquistadas entre prata e bronze, nas cinco edições passadas.
Três tipos de provas são realizadas com os estudantes: a observacional, onde eles devem mostrar seus conhecimentos sobre o céu; a prática, na qual, tal como um astrônomo, eles devem interpretar dados observacionais; e a teórica. com problemas de astronomia e astrofísica para resolverem.
Os estudantes estão, nesta semana, de 7 a 12 de agosto, reclusos num hotel, em Vassouras, totalmente isolados, sem poder usar celulares, redes sociais, e-mails. Tudo isso para que não haja nenhum tipo de benefício a nenhum grupo.
Nem mesmo os pais podem entrar em contato com eles sem a devida supervisão. Como são jovens e como tais, no fundo, são iguais em qualquer lugar do mundo. Imagino a felicidade da maioria de estar livres por uma semana dos pais corujas.
Boa sorte aos brasileiros! Boa sorte a todos!
Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica
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