Por Alexandre Cherman ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )
A Astronomia é, possivelmente, a mais antiga ciência. E é a única que tem que se contentar em apenas admirar de longe seus objetos de estudo, sem nunca tocá-los, reproduzi-los ou dissecá-los. Todas as informações que obtemos dos astros provêm da radiação que deles recebemos. A persistência é qualidade fundamental para o sucesso nesta profissão.
Esta persistência pode ser exercitada desde antes do curso universitário. Talvez o primeiro desafio encontrado pelo futuro cientista seja comunicar sua escolha à família. Não há pai ou mãe que fique completamente satisfeito ao descobrir tão incomum opção de carreira (não foram poucas as vezes que ouvi o termo "lunático" da boca de familiares.).
O vestibular em si não é exatamente uma batalha sangrenta. São poucas as vagas, é verdade (30). E só há uma faculdade no Brasil (na UFRJ). Mas também são poucos os candidatos. No ano passado, a relação candidato/vaga foi um pouco maior do que três.
O curso é bastante árduo, chegando a assustar os menos preparados. Alguns calouros sonham com noites passadas em claro, sob a luz das estrelas, contemplando as belezas do céu noturno; estes costumam se decepcionar (e muito) com a faculdade de Astronomia. Estudamos muita Matemática e Física.
O curso dura, em média, cinco anos. As aulas de Astronomia são ministradas no Observatório do Valongo (no bairro da Saúde); as outras são dadas na ilha do Fundão. Já nesta época os alunos podem começar a trabalhar em programas de iniciação científica no próprio Valongo, no Observatório Nacional (em São Cristóvão) ou em outros institutos de ciências afins (Física, Química, Geologia, entre outras). Geralmente este trabalho é a base de um projeto que deve ser apresentado à época da formatura.
Da turma original, talvez se formem apenas 20%. Uns abandonam o curso porque é difícil, outros porque não era bem isso que tinham em mente. Os que se formam costumam ir direto para a pós-graduação. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, em São José dos Campos, o Instituto Astronômico e Geofísico - IAG/USP, em São Paulo, e o Observatório Nacional são os destinos mais freqüentes, tanto para o mestrado, quanto para o doutorado. Para se conseguir uma vaga de professor ou pesquisador em uma boa universidade ou instituto é preciso o grau de doutor.
Para o recém-formado existem algumas opções: dar aulas de Astronomia nos poucos colégios que oferecem esta disciplina; supervisionar satélites em órbita, como os da EMBRATEL; divulgar a Astronomia para o público em observatórios municipais e planetários. Há uns 15 planetários no Brasil (mas o do Rio de Janeiro é o único que tem por norma só contratar astrônomos). A divulgação científica permite um contato bastante enriquecedor com o público; os salários, porém, não são muito encorajadores.
O curso não é fácil, o mercado é restrito e as pessoas costumam nos ver como loucos. Por que estudar Astronomia, então? Como qualquer ciência, a Astronomia se faz por amor. Para os que têm um genuíno amor pelo conhecimento, e uma certa agilidade matemática, a Astronomia é uma escolha fascinante.
Se esta é a sua escolha, boa sorte. colega!

