Resoluções de Ano Novo

    É comum, na virada do ano, trocarmos votos de felicidade, abraços efusivos e até beijos apaixonados. Comum, também, é fazermos promessas para nós mesmos. “Neste ano eu começo a ginástica.” “Em 1999, eu paro de fumar.” “Aquelas férias com minha família não me escapam desta vez.” Movidos pela aparente singularidade deste primeiro dia, achamos — ainda que inconscientemente — que nossas decisões têm mais força, mais poder. As resoluções de ano novo, por assim dizer, revelam um pouco do que somos, e muito do que gostaríamos de ser.

    O que seriam boas resoluções para a comunidade astronômica? O que os astrônomos gostariam que acontecesse em 1999?

    Bem… que todos gostariam de ter provas conclusivas sobre a existência, ou não, de vida em outros planetas, isso não resta a menor dúvida. Mas, sejamos francos, tal descoberta não depende apenas de nossos esforços.

    O que podemos fazer, caminhando nesta direção, é tentar entender como os planetas são formados. Como o único conjunto de planetas que conhecemos é este nosso sistema solar, não temos lá uma grande amostra para um estudo conclusivo. O conhecimento das origens da Terra e seus vizinhos torna-se fundamental neste novo ramo da Astronomia.

    O telescópio espacial Hubble tem nos fornecido, a cada dia que passa, mais e mais imagens de sistemas planetários ao redor de outras estrelas. São imagens um pouco cruas, que muito lembram as dos pioneiros das artes fotográficas. Ainda assim, são muito mais do que tínhamos há pouco tempo. Graças a essas observações e o estudo diligente de cientistas de todo o mundo, uma nova teoria de formação planetária vem surgindo.Quem sabe estará pronta neste ano que começa?

    A lista de perguntas ainda sem resposta é interminável. Afinal, são elas — as perguntas — que permitem o avanço da ciência. Saber perguntar é, por vezes, muito mais importante do que obter as respostas. Que 1999 nos traga algumas das respostas almejadas, mas, sobretudo, novas perguntas, questionamentos e ponderações!