Um calendário na janela

Em cidades grandes, como o nosso Rio de Janeiro, não é sempre que temos o horizonte livre para observar certos fenômenos celestes. Além disso, nos corridos tempos modernos, é comum não termos tempo para a contemplação dos astros. Mas, veremos, com um pouquinho de tempo e um pedacinho de horizonte, podemos fazer coisas impressionantes…

Para a nossa receita, precisaremos de uma janela que se abra para o horizonte leste (ou o oeste), uma caneta hidrocor e um astrônomo amador no sentido mais estrito do termo (alguém que faça astronomia por amor). Se estivermos olhando para o horizonte leste (não necessariamente o ponto cardeal leste, mas o lado leste), faremos nosso calendário pela manhã, acompanhado o nascer do Sol. Se olharmos para o oeste, acompanharemos o pôr do Sol.

Escolha um intervalo de tempo curto (três ou quatro dias) e um lugar para a sua observação (esse lugar deve ser fixo durante toda a nossa experiência). Agora é só observar o nascer do Sol (ou o pôr), respeitando o intervalo escolhido. A partir de seu ponto de observação (fixo), você deve marcar com a caneta, no vidro da janela, a posição do Sol no horizonte (acompanhado da data da observação). Faça isso ao longo de um ano e você terá um calendário solar em sua janela!

Isso acontece devido ao movimento anual aparente do Sol, um reflexo do movimento de revolução da Terra e da inclinação do eixo de rotação do nosso planeta. Nossos antepassados faziam esse tipo de observação em sítios bem conhecidos (por exemplo, Stonehenge, na Inglaterra) e alguns nem tanto (Praia Mole, em Florianópolis).

E tais observações deixavam claro que o nascer do Sol oscilava em torno do ponto cardeal leste. Logo, quando atingia os pontos de máximo afastamento (que variam, de acordo com a latitude do observador) o Sol parava de se afastar e “voltava”. Os dias do Sol “parado”, ou Sol estático, ficaram conhecidos como solstícios.

No dia 21 de junho teremos um desses dias. Agora é mãos à obra na construção do seu calendário pessoal!